terça-feira, 31 de outubro de 2017

O Mapa dos Separatistas na Europa.


O mapa acima mostra as diversas regiões que possuem movimentos separatistas que procuram independência do domínio central dos países.

O mapa é do Mauldin Economics.

Inicialmente, deve-se lembrar que a solução  para conter esses movimentos não é dar mais poder para a União Europeia.

Essa organização tem sido fonte de muitos problemas, tem avançado de forma destrutiva sobre a cultura dos países. O que a União Europeia tem feito é estimular separatismos, seja de países contra ela ou contra os países membros.

O jornal inglês Express usa o mapa acima para tratar da questão de vários separatismos que a tentativa de independência da Catalunha estimula. Desde o Sapmi (que envolve a Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia) até a Sicília temos movimentos separatistas.

Realmente a responsabilidade da Espanha na solução do caso da Catalunha ultrapassa em muito a Espanha. Mesmo nos Estados Unidos e Brasil há grupos de separatistas.

Durante o governo Obama era comum textos sobre grupos separatistas do Texas. No governo Trump tem-se falado que a Califórnia pode tentar se separar. No Brasil, por vezes se fala de São Paulo e da região sul.

Em termos teológicos, o demônio está alinhado com divisões, separações e confusões.

Mas devemos estar atentos também que domínios, como a União Europeia, podem estimular o maléfico.

Deve-se ter em mente a cultura do país e se essa cultura é saudável em termos divinos.

A Catalunha seguramente não é um divisão divina, é bem mais diabólica, como explicou muito bem o Fuentecalada nos três artigos dele publicados aqui no blog.



segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Meu Livro e os Demitidos do Papa Francisco (Cardeal Burke e Padre Samir)


Se é verdade que "diz-me com quem andas que direi quem tu és", também é verdade que: "diz-me quem tu demites que eu direi quem tu és".

Acima, a foto mostra a honra que eu tive de autografar meu livro, Teoria e Tradição da Guerra Justa, para o mais ilustre demitido do Papa Francisco, o cardeal Burke. Cardeal Burke esteve no Brasil para lançar seu livro O Amor Divino Encarnado, e eu tive a chance de conversar rapidamente com ele explicando meu livro. Ele me respondeu, inclusive, que conseguia ler em português, assim entenderia do que meu livro tratava.


Ontem, soube que o Padre Samir Khalil Samir (foto acima), que eu usei muito dos conhecimentos para escrever meu livro, e um dos maiores especialista do Islã dentro do Vaticano, foi também demitido pelo Papa Francisco.

Vejam abaixo o texto do Gloria.tv sobre a demissão do Padre Samir.

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Jesuit Father Samir Khalil Samir, 79, a specialist in Islamic studies who used to teach in Rome has unexpectedly been re-assigned to Cairo, Egypt.

According to La Fede Quotidianathe transferal came as a surprise as Fr Samir had already agreed to his usual summer stint in a German parish. La Fede Quotidiana points out that Samir has been critical of Francis’ controversial views on Islam but was highly appreciated by Benedict XVI.

When Pope John Paul II kissed the Quran in May 1999 Father Samir said that this "was a shock for many Christians in the Middle East. They thought it meant that the Quran is divine, which is of course not what he meant at all".
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Eu já falei muito aqui do Padre Samir, em muitos posts, em um deles o Padre tinha esperança que o Papa Francisco entendesse que o Islã não é uma religião de paz.

Tenho a plena certeza que meu livro não seria muito bem visto dentro do Vaticano dos nossos dias, apesar de trazer a posição da Bíblia, de Santo Agostinho, de São João Damasceno, São Tomás de Aquino, e São Francisco de Assis, sobre guerra e Islã.

Se dependesse do Vaticano atual, eu seria demitido, e o livro não seria publicado, hehe.

Mas o livro foi publicado sim e está disponível em diversas livrarias, como a Saraiva, a Cultura e a Amazon.

Vejam abaixo a parte do livro que traz a posição do padre Samir:

Uma característica marcante dos nossos dias, mas que também ocorreu no passado, é o terrorismo islâmico. O padre Samir Khalil, jesuíta egípcio, especialista em Islã, nos fala que não se pode negar que os terroristas muçulmanos estejam seguindo a religião islâmica. Ele relaciona o passado com os atos terroristas de hoje. O jornal Catholic National Register perguntou a ele sobre o Islã, após os ataques de terroristas islâmicos à revista Charlie Hebdo de Paris em janeiro de 2015. O jornal questionou: “Diante de tantas atrocidades cometidas por muçulmanos, muitos culpam o Islã, qual é a sua opinião?”. Padre Khalil respondeu que:
“Deve ficar claro que o que eles [fundamentalistas islâmicos] fazem, o que eles têm feito e o que eles fizeram no passado é em nome do Islã. Negar isso é uma mentira. Por quê? Porque cada grupo fundamentalista tem um imã ou dois que emite uma fatwa [autorização para atos de violência] que lhes dão permissão. Não é automático. Alguém que tem autoridade - uma pessoa religiosa que estudou - tem o direito de decidir se é permitido a atacar ou não.

No Islã, você não pode atacar simplesmente alguém em nome do Islã. Deve haver uma razão para isso. O mufti - o que significa que aquele que dá a fatwa - tem o direito e a tarefa de dizer agora é halal [permitido pela lei islâmica] ou o oposto, que é haram [proibido]. Então, eles não fazem isso apenas em nome do Islã, mas em nome do Alcorão e do Islã.”


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Rezemos pelo Cardeal Burke  e pelo Padre Samir.

E para que o Papa saiba demitir quem realmente faz mal a Igreja. Por exemplo, há uma campanha na internet para que ele demita um "conselheiro" do Vaticano que apoia mudança do Catecismo em favor de gays.


domingo, 29 de outubro de 2017

Ciência Encontra 1.559 Diferenças Genéticas entre Homens e Mulheres Não Relacionadas com Órgãos Sexuais


Um estudo mostra que as diferenças entre homens e mulheres são muito maiores que apenas aquelas refletidas nos órgãos reprodutores. O estudo chamado "The Landscape of Sex-Differential Transcriptome and Its Consequent Selectione on Human Adults", dos cientistas Moran Gershoni e Shmule Pietrokovski, publicado na revista BMC Biology, mostrou 1.559 diferenças genéticas entre homens e mulheres não relacionadas aos órgãos sexuais, localizados, na pele, músculos e cérebros.

Essas diferenças acabam sendo refletidas nas reações a diversos remédios e doenças.

Isso mostra mais uma vez que mudar de sexo não é simplesmente querer ter seios ou pênis, sem falar na natureza divina do homem e da mulher, há inúmeras diferenças biológicas.

Os autores concluem que homens e mulheres são diferentes de maneiras óbvias e menos óbvias.

Vejam relato do site Life Site News.

Science finds 1,500 genetic differences between boys and girls, destroys ‘transgender’ arguments


ISRAEL, May 8, 2017 (LifeSiteNews) -- Scientists have uncovered 1,559 genetic differences between males and females that relate not only to the sexual organs, but surprisingly to other organs such as the brain, skin, and heart. 
“Overall, sex-specific genes are mainly expressed in the reproductive system, emphasizing the notable physiological distinction between men and women,” the scientists found. “However, scores of genes that are not known to directly associate with reproduction were also found to have sex-specific expression (e.g., the men-specific skin genes),” they added.
The findings suggest to the casual reader that there is much more involved in the notion of changing one’s gender to the opposite sex than simply surgery and hormonal treatment. 
“Our results can facilitate the understanding of diverse biological characteristics in the context of [the male and female] sex,” the researchers stated in their conclusion. 
The study, titled The landscape of sex-differential transcriptome and its consequent selection in human adults, was published in BMC Biology earlier this year. 
In the study, researchers Moran Gershoni and Shmuel Pietrokovski of the Weizmann Institute’s Molecular Genetics Department mapped out thousands of genes — the biological databases of all the information that makes every person unique — from 53 tissues that are similar to males and females, such as the skin, muscle, and brain. 
The study was conducted to examine the extent to which genes determine how certain diseases target males and females differently. 
“Men and women differ in obvious and less obvious ways – for example, in the prevalence of certain diseases or reactions to drugs. How are these connected to one’s sex? Weizmann Institute of Science researchers recently uncovered thousands of human genes that are expressed – copied out to make proteins – differently in the two sexes,” a report from the Weizmann Institute about the findings stated.  

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Vídeo: "Papa Francisco, o Defensor do Islã"




No vídeo acima, Robert Spencer, autor renomado de vários livros sobre o Islã, fala de elogios que o Papa Francisco tem recebido de líderes Islâmicos, inclusive líderes que financiam o terrorismo islâmico no mundo.

Para esses líderes Islâmicos, como Mohammad Al-Issa, líder do "Muslim World League", Francisco é um "Defensor do Islã", que defende a religião islâmica pelo mundo, como uma religião que "espalha o amor" pelo mundo.

Spencer lembra uma condenação que o Islã recebeu pelo Papa Calisto III, que considerava o Islã uma seita diabólica.

E Spencer também lembra que o Papa chegou a defender os terroristas que mataram os jornalistas da revista Charlie Hebbo em 2015, dizendo que os terroristas agiram como alguém age se falam mal de sua mãe. Assim como é normal esmurrar alguém se este fala mal de sua mãe, os terroristas agiram de forma normal pois a revista falou mal de Maomé.

O Papa chegou a igualar os fundamentalistas muçulmanos com os fundamentalistas cristãos.

Como pergunta Spencer, o que aconteceria no mundo islâmico se um líder religioso muçulmano fosse chamado de "Defensor dos Cristãos ou dos Judeus"?

Certamente, o Papa Francisco se destaca, é o primeiro papa na história de mais de 2 mil anos da Igreja que pode ser considerado, como muitas razões, um "Defensor do Islã".


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Pela Primeira Vez Revela-se o Documento Perdido de Condenação ao Comunismo do Concílio Vaticano II.


Interessante, para esse mês em que se lembra os 100 anos da Revolução Comunista Russa e também os 100 anos da Mensagem de Fátima que condenou o comunismo. Mostra como a Igreja é muito culpada pelas confusões e mortes do comunismo, por ter silenciado tantas vezes.

Durante o Concílio Vaticano II foi preparado um documento com forte condenação ao marxismo e ao Comunismo, em apoio à condenação feita por Nossa Senhora de Fátima.

Mas um grupo de bispos esquerdistas alemães, holandeses e franceses, conhecido como Grupo Reno (Rhine Group) conseguiu dominar a produção dos documentos do Concílio e afastar e rejeitar qualquer condenação ao marxismo e ao Comunismo durante o Concílio. E assim esse documento não faz parte oficialmente dos textos do Concílio Vaticano II. 

É o que conta o site Life Site News.

Imagino que a história seja bem mais complexa, esse Grupo Reno não teria esse poder sem autorizações superiores e se o papa quisesse realmente fazer uma condenação ao comunismo.

O documento se chama "De Cura Animarum Pro Christianis Communismo Infectis", o que poderia ser traduzido para o português como: "Sobre os Cuidados com as Almas que Estão Infectadas pelo Comunismo". 

O documento foi feito em latim e estava perdido, escondido entre muitos documentos,  até então. Mas o site Life Site News o recuperou e o traduziu para o inglês.

Para vocês que não leem em inglês, o texto diz, em resumo:

  • Que se dirige para atacar a ameaça do comunismo ateu;
  • Comunismo procura derrubar o alicerce cristão da sociedade;
  • Comunismo oferece uma falsa redenção quase mística que inflamas as massas. É uma falsa religião sem Deus que tem com base o materialismo;
  • O que o comunismo traz é a destruição da liberdade  e da dignidade humana;
  • A Igreja tem o dever de se levantar contra a ameaça comunista;
  • A prática cristã social é a principal arma contra o ateísmo comunista
  • É necessário termos homens que estudem a psicologia comunista e a combata;
  • Deve-se promover as ações católicas;
  • Católicos estão sendo "infectados" pelo comunismo, alimentados por um falso idealismo, 
  • A Igreja deve ajudar os clérigos e os leigos na luta contra o comunismo;
  • A Igreja deve colaborar com os cristãos que sofrem a opressão do comunismo em países da "cortina de ferro";
  • Deve-se rezar sempre pela liberação daqueles que sofrem a perseguição comunista;


Leiam o documento na íntegra em inglês abaixo ou clicando aqui:

ON THE CARE OF SOULS WITH REGARD TO CHRISTIANS INFECTED WITH COMMUNISM

(DE CURA ANIMARUM PRO CHRISTIANIS COMMUNISMO INFECTIS)

Chapter VI of Part 2 of Praecipuae de Animarum Cura Quaestiones, a preparatory schema of the Second Vatican Council approved in February, 1962 by the Commission on Bishops and the Supervision of Dioceses,

Found in: ACTA ET DOCUMENTA CONCILIO OECUMENICO VATICANO II APPARANDO, SERIES II (PRAEPARATORIA), vol. 3, pars 1, pp. 333-339

Holy Mother Church, following the steps of her Divine Spouse and Teacher and obeying his commands, labors assiduously so that all men “may have life and may have it more abundantly” (Jn. 10: 10).

However, in recent times, a danger has arisen that menaces the doctrine and activity of the Church, that is, atheistic communism, whose specific purpose is to radically overturn the social order and to subvert the foundations of Christian civilization.1

For communism teaches a doctrine and pursues a program of action that exceedingly fosters materialism and atheism.

Although it is sometimes moved by an impulse against injustices which we have received in our day as an inheritance from an unjust economic regime,2 communism nonetheless offers a false kind of redemption. “And it is thus pervaded, in a pseudo-mystical way, with a certain false idea of justice, equality and fraternity for all in the administration of their needs and labors, for the purpose of inflaming the masses by enticing them with deceitful promises, by which they are aroused as if by a virulent contagion.”3 And thus communism is altogether devoted to delivering a vision to mankind of an “organic life,” offering a false religion without God, and abolishing the very notion of the eternal Divinity and the hope of another life.4

What follows is the plundering of man’s liberty, in which the spiritual norm of living consists, and likewise the overturning of human dignity and the desecration of human life, as well as the removal of the authority of parents to educate their children.5 2

Seeking, therefore, to bring about a new political order, “an association of men that expels God from the earth,” atheistic communism, “like a new gospel and like a form of salvific redemption, preaches its message to all of humanity.”6

The Catholic Church, however, as it is the legitimate and authentic interpreter of the moral law, has the duty to denounce all acts perpetrated against the divine law, to confirm the faithful, and to illuminate them regarding imminent dangers as well as the social application of its principles.

The Church, as the Mystical Body of Christ, unceasingly labors to unite all men, even those who are erring, through the preaching of the Gospel, and through the love and grace of Christ.

This holy and noble duty first of all obligates “the higher members of this mystical Body, especially those from whom the divine Head will someday render an account for our souls,”7 indeed, the bishops, “whom the Holy Spirit has appointed to rule over the Church of God.”8

Therefore, to the Church belongs the right and duty of fighting against atheistic communism regarding doctrine and regarding action or methods of activity.

It is important to diligently distinguish this activity or evangelical duty of the Church from merely political or economic anticommunism, which has a different purpose. On the other hand, however, “the Church does not only have the right and the duty to uphold principles regarding religion and the integrity of morals, but also to exercise its authority to make pronouncements regarding the way those principles are brought into effect.”9

In such circumstances necessity urges and impels that the Christian faithful, under the leadership of the bishops, be made sufficiently aware of the danger faced by the faith, that they become more knowledgeable about the fundamentals of the faith that are under attack (e.g. the existence of God, the liberty of man, the value of labor, etc.) so that they may be imbued with the doctrine of the Church regarding charity and social justice, and so that they may come to know and faithfully adhere to the most salutary Papal documents regarding social issues,10 so that the Church may renew the moral and social order in Christ through the aid of the priesthood and the apostolate of the laity.

As the Church of God is by no means directly advocating any particular economic and social systems, but seeks “to construct modern civilization in accordance with standards of humanity and evangelical doctrine,”11 a spiritual struggle against atheistic communism, or “this invention so full of errors and delusions,”12 must be carried out so that the Christian faithful might be 3 strengthened, and more apt ways might be offered for the effective carrying out of apostolic activity, especially among laborers.

This pastoral activity should be carried out:
 I – to aid the Christian faithful living in regions not oppressed by communism;
 II – to reeducate young people educated under communism;

 III – in favor of the “silent Church” of the oppressed.

Art. I – On the Christian faithful living in regions not oppressed by communism

1. As the lamentable weakness of piety and religion are the principal cause of so many Christians self-identifying as communists, and as Christian doctrine and the proper activity and practice of the Christian life are the strongest bulwark against atheism and materialism, pastors of souls and instructors of the youth should strive to educate the minds of the faithful so that they might not be troubled by any reasonable doubt nor by any commonly accepted social injustice.

2. § 1. Therefore there is the need for a broader, deeper, and more thoroughly disseminated knowledge of the principles of the science of eternal salvation, which must be conveyed in catechisms published under ecclesiastical authority, in which it is of primary importance to explain the doctrine of the Mystical Body of Christ and its implications for the activities of life.

§ 2. Catechesis is to include a well-ordered and clear explanation of the social teaching that is contained in the treasury of Catholic doctrine.

3. It is necessary for men of the Church to be imbued with a social spirit that flows forth from Christian doctrine, as well as the constant application of social principles in practice and in daily life.

4. Moreover, the bishops should strenuously and constantly defend the wise allocutions of the popes regarding peace, regarding the principles by which a friendly companionship and harmony should be maintained between the social classes, and regarding the principles by which the less developed and poorer nations are to be aided, as opposed to a contented “racism.” 4

5. A precise and more profound knowledge of the principles upon which communism depends, and a solid doctrinal assault on the “organic worldview” and metaphysics of the communists must be brought about in accordance with the guidelines established by the bishops in each nation.

6. For this purpose, students are to be educated in seminaries and likewise priests in particular courses are to be instructed regarding the doctrines of communism itself, of the truths of the faith it attacks, and of the most apt pastoral method for defending the faith.

7. The bishops in the National Conferences should promote a firm and constant action against the errors of the communists through the use of experts, and likewise should ensure that in each province or nation there should be a specified group of men who, as true experts in communist doctrine, zealously combat the errors of the same doctrine with meticulous care.

8. Because pastoral activity should be addressed to all men, not excluding militant communists, the bishops should ensure that in each province or nation a select group of priests and laity be designated, men who are outstanding in knowledge or reputation, and particularly in the zeal for their apostolate, who strive to win for Christ those who are followers of communism or who are infected by its erroneous doctrines.

9. Apostolic activity consists a) in the integrity of the Christian life in personal habits and conduct, b) in the contempt for riches in accordance with the evangelical spirit, c) in the condemnation of immoral practices that violate social justice, no matter who is guilty of them, including Catholics, d) in the profound knowledge of the social principles of the Church and their application in the life of the community, e) in a mutual and active intimacy with the poor and oppressed, f) in scientific and practical efforts to raise the people to a higher level of dignity, for example, in public legislative bodies, in fraternal unions of workers, etc., g) in the dissemination of the Gospel and of the doctrines of the Church, especially among young students, men of refinement, skilled artisans, and more affluent workers or technicians, h) in showing that Catholic doctrine offers better solutions and approaches to problems.

10. There is a need for an influx of workers’ guilds and a common association of laborers for the purpose of counteracting or eliminating the influx of atheistic communism among simpler souls, who have a poor understanding of the nature of communism and do not support it strongly, although they might vote in favor of communism for economic reasons. 5

11. § 1. Regarding the clergy and Catholic militants, there a need for the greatest zeal, a fervent charity, a spirit of self-abnegation, faith in the value of Christianity – even in temporal matters – and in its final victory, as well as a heart that burns for the establishment of a Christian social order.

§ 2. A careful study of the psychological method that which has been applied extensively by communists among the people, is to be undertaken and developed by learned men.

 3. In each region, having examined the strategies of the communists there, the bishops should select men who will diligently undertake the study of the means by which the “psychological method” of the communists should be opposed.

 4. Christian worker’s guilds (unions), Catholic Action and other such organizations and works for aiding workers, emigrants, and all of the people of the proletarian class, should be vigorously promoted. Bishops and priests should strenuously defend the rights of the workers and foster their progress.

§ 5. This evangelical struggle of the Church against the enemies of the Faith must be carefully distinguished from political or economic anticommunism, whatever just and legitimate civil action might be directed against communism by Catholics and others who hold public office.

§ 6. The direct or indirect acts of communists who strive to exploit the activities and publications of Catholics for their own purposes should be immediately denounced, and should be opposed by the bishops wherever they occur.

§ 7. Catholics who, infected by “progressive” doctrines and zealous for revolution, or because of a false so-called “idealism,” or a wavering judgment, or an erroneous notion of charity, or because of fear of Soviet power and a foolish shame of the judgment of man, impede action against atheistic communism, should be publicly silenced by ecclesiastical authority. Priests delinquent in this regard are to be severely admonished, and, if the case so merits, inflicted with penalties.

§ 8. Those, however, who, whether they are bishops or priests or laity, act to counter atheistic communism in a healthy way, are to be lauded and assisted and, if it is necessary, defended. 6

12. An international commission of bishops and of lay experts should be instituted, which, under the leadership of the Holy See, has the task of overseeing and supporting all of those who seek to defend and liberate mankind from the errors of atheism and communism.

13. It will be the principal duty of this international commission to promote and coordinate the studies, works, ordinances, and laws that debilitate communism and shatter its audacity.

Art. II – On reeducating the youth who have been educated under communism

Let us now consider the miserable fate of those, particularly the youth, who, having been educated under a communist regime, having thrown off the servile yoke of the same and now, dwelling in free countries, live among Catholics who never lost their most sweet liberty, and also among Catholics who, having been oppressed by communism, bewail innumerable evils. Such young people, indeed, returning to the bosom of the Church, cannot be held to be firm and secure Catholics in every respect; indeed they are weary with a hunger for the truth; they desire charity and justice with all their heart, they are carried by a deep antipathy towards communism; but they have not thoroughly rejected all of the things that they imbibed under the communist regime.

They are often are wary and distrustful of the Church, for, expecting the best of it, they want to see only the most exalted of things in the Church and they demand them vehemently; and therefore they are not at all attracted or convinced by a weak profession of religion and of the Faith, but rather are inclined to believe in outstanding works of faith and charity.

1. In each diocese, where there are refugees, suitable priests are to designated who give spiritual care for such youth.

2. It will be most advantageous to select such priests among those who are of the same nationality and are well-acquainted with the psychology, language, and customs of young people and others who are held under the yoke of communism.

3. Those groups of Catholic youth and secular institutes are to be commended which, imbued by a spirit of charity and sacrifice and under the moderating prudence of priests, expend their time and resources on behalf of their unfortunate brethren in regions to which young people educated under communism have fled, so that the latter may recognize the Church in accordance with its true likeness.

Art. III – On the silent Church

In the Mystical Body of Christ we are all “members of one another” and continuous vessels in which the spiritual osmosis of the Christian life is fulfilled. “That there might be no schism in the body: but the members might be mutually careful one for another. And if one member suffer any thing, all the members suffer with it . . .” (I Cor 12: 25-26). Therefore Catholics living “behind the iron curtain” and oppressed by a severe persecution, should be aided by the prayers and other charitable works of Christians who have the enjoyment of their freedom, so that their faith may be strengthened and that their terrible suffering may be alleviated.

1. The cooling fires of charity towards the brethren living on the other side of the “iron curtain” should be stirred up, so that between those who carry the cross in regions oppressed by communism, and Christian faithful who live in the free world, there might always be a solidarity and a union of souls, and particularly a spirit of sacrifice and common prayer.

2. It is highly recommended that, day by day, throughout the Catholic world, at particular times, prayers be made for the oppressed Church; either the practice of the “Angelus Domini” or the recitation of the Symbol of Faith may be made, for this intention, or prayers after Mass may be recited for the same purpose.

3. The solemnly proclaimed sacrifice of the Most Holy Mass on behalf of the oppressed Church and its persecutors should be frequently celebrated in each parochial or religious church, in accordance with the form determined by the bishop. Furthermore, the faithful should be invited to have the sacrifice of the Mass celebrated for this purpose.

4. Every year, on the Friday of Holy Week, particular prayers are to be piously poured out for Christians who suffer unjust persecution as well as for the conversion of their persecutors.

5. Offerings also for the oppressed Church should be made in accordance with the form to be determined by the Episcopal Conference.

6. It is very expedient that documents and acts of persecutions in oppressed regions be written up by experts in accordance with sound judgment and critical reasoning, so that the wondrous examples of Christians who have suffered for the love of Christ in those regions may be gathered for the purpose of commemorating them in sacred preaching.

7. Priestly vocations for the oppressed Church should be fostered and prepared in accordance with prudent planning, under the leadership of the Holy See.

8. Bishops of free countries should ensure that public opinion be correctly and unceasingly informed regarding the persecution of the Church and, when the occasion arises, common and prompt intercessions should be made on behalf of the oppressed Church with the highest government authorities of the same countries, to induce them to actively defend religious liberty and human rights.

Text definitively approved in the General Session held on the days of February 5-13, 1962.

FOOTNOTES
1 Encyclical letter Divini Redemptoris, POPE PIUS XI, A.A.S., XXIX, 1937, n. 4, p. 66.
2 Ibid., p. 91.
3 Ibid., p. 69.
4 Ibid., p. 70.
5 Ibid., pp. 70-71.
6 Ibid., pp. 71-72.
7 Encyclical letter Mystici Coproris, POPE PIUS XII, A.A.S., XXXV, 1943, n. 7, p. 239.
8 Acts of the Apostles 20: 28.
9 Encyclical letter Mater et Magistra, POPE JOHN XXIII, A.A.S., XLIII, 1961, n. 8, p. 45.
10 Encyclical letter Rerum Novarum, POPE LEO XIII, Acta Leonis, vol. XI, 1891, p. 97 sqq.; Encyclical letter Quadragesimo Anno, POPE PIUS XI, A.A.S., XXIII, 1931, p. 179 sqq.; Radio address of POPE PIUS XII, June 1, 1941, A.A.S., XXXIII, 1941, p. 195 sqq.; Encyclical letter Mater et Magistra POPE JOHN XXIII, A.A.S., XLIII, 1961.
11 Encyclical letter Mater et Magistra, POPE JOHN XXIII, 1. c., p. 46.
12 Encyclical letter Divini Redemptoris, POPE PIUS XI, 1. c., p. 72. 9 ON THE CA



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Catalunha (Parte 3) - Da Guerra Civil ao Regime Franco: Autor: Fuentecalada

Nessa parte, Fuentecalada fala até do Barcelona, clube de futebol.

Acima, vemos o avanço das forças nacionalistas contra os "republicanos" (socialistas, anarquistas) na Guerra Civil espanhola. As forças nacionalistas não recuaram, durante a guerra. Como diz Fuentecalada, o avanço das forças nacionalistas ficou conhecido como "a espada invicta de Franco".

Seguimos aqui, com a sequência de artigos sobre a Catalunha que eu pedi para que o Fuentecalada preparasse para o blog. Dessa vez, vamos tratar do período do regime do General Franco, desde a  Guerra Civil.

Se você não leu a Parte 1, nem a Parte 2, clique aqui para a Parte 1 e aqui para a Parte 2.


Catalunha durante o regime de Franco.
Autor: Fuentecalada

O regime republicano que se estabeleceu após a derrubada da monarquia adotou o sistema parlamentarista, tendo o presidente da república como chefe de Estado, eleito de forma indireta pelo Congresso de deputados, e o presidente do conselho de ministros como chefe de Governo.
As controversas eleições que deram a vitória à Frente Popular, em 1936, resultaram na eleição indireta de Manuel Azaña para exercer o cargo de presidente da república em um mandato de seis anos. De acordo com a Constituição republicana de 1931, cabia ao presidente da república nomear o chefe de Governo. Azaña nomeou seu correligionário do partido Izquierda Republicana (IR), Santiago Casares Quiroga, para assumir a chefia do governo.
Quando eclodiu a Guerra Civil, em julho de 1936, o controle sobre as divisas em moeda estrangeira e as reservas de ouro do Banco de España estavam em poder do governo republicano, que utilizou as reservas em ouro para pagar a “ajuda soviética” oferecida por Stálin, sob a forma de “consultores” e material bélico, composto em boa parte por itens obsoletos e em mau estado. Azaña demitiu Casares Quiroga e entregou a chefia de governo a José Giral, também da IR. Em setembro, com o avanço da sublevação militar, Giral demite-se e Azaña nomeia o socialista Llargo Caballero para assumir o Governo, havendo assumido, ainda, a chefia do Ministério da Guerra e entregue as pastas da Educação e da Agricultura ao Partido Comunista de España (PCE), no que chamou de “Governo da Vitória”.
Na época, a Espanha detinha a quarta maior reserva em ouro do mundo, fruto da expansão comercial verificada no período da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), em que a Espanha se mantivera neutra. As remessas de ouro para a França, com a finalidade de comprar armamento, começaram em julho de 1936, ainda no Governo Giral e no gabinete de Llargo Caballero ficaram sob a coordenação do então ministro da Fazenda, o médico Juan Negrín, filiado ao PSOE. O ouro seria convertido em moeda estrangeira pela “Banque Commerciale pour L’Europe Du Nord” e pelo “Eurobank” em Paris, ambos integrantes da organização financeira do Kremlin na França. No total, 174 toneladas de ouro foram transferidas para a França, o equivalente a cerca de 30% das reservas. Em setembro de 1936, Negrín transferiu em dez mil caixotes o restante das reservas em ouro e prata do Banco de España diretamente para Moscou. “Mas os números soviéticos não revelam a contabilidade criativa havida na troca de ouro por rublos e de rublos por dólares e de dólares por pesetas”. (Beevor, Antony inA Batalha pela Espanha: a Guerra Civil Espanhola 1936-1939”. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 231-232).



Juan Negrín discursa na frente do Ebro, 1938.
Juan Negrín assumiria em maio de 1937 a presidência do Conselho de Ministros do governo republicano, com o apoio do PCE, em substituição a Llargo Caballero. Em outubro, Negrín transferiu a sede do governo para Barcelona. Ao final da guerra, Negrín conseguiu embarcar para o México um iate, El Vita, carregado de jóias, metais preciosos e tesouros de valor histórico e artístico, alguns deles saqueados pela Generalitat de Companys. O carregamento seria interceptado por outro líder socialista espanhol, Indalecio Prieto, que, em 1946, expulsaria o rival Negrín do PSOE, acusando-o de estar a serviço do PCE e da União Soviética. Ambos reivindicaram que utilizariam o tesouro do El Vita para prestar assistência aos “refugiados republicanos” no exílio, mas nunca prestaram contas do que ocorreu com essa fortuna incalculável. Negrín morreria em 1956, numa ampla e confortável casa em Paris. Poliglota, ao final da vida, segundo afirmou sua neta Carmen, dedicava-se a aprender chinês e árabe, por considerá-los os “idiomas do futuro”. Em 2008, Negrín foi “reabilitado” pelo PSOE.

A secretária de organização do PSOE, Leire Pajín, entrega o carnê de filiação a Carmen Negrín,
neta do último chefe de Governo da República. CLAUDIO ÁLVAREZ. El País : 24/10/2009.

Ao final da Guerra Civil, a economia espanhola estava exaurida. As perdas materiais ocasionadas pelos combates reduziram a produção agrícola e a criação de gado. Estima-se que a produção industrial tenha caído 30% em relação ao período que antecedeu o início da guerra. A infra-estrutura, especialmente as linhas ferroviárias, o material rodante e a produção de eletricidade, fôra em boa parte destruída (Carreras, Albert; Tafunell, Xavier inHistoria económica de la España contemporánea (1789-2009)”. Ed. Crítica. 2003. Observação: os autores citados são doutores em história pela Universitat Pompeu Fabra de Barcelona).
O período que se seguiu ao fim da Guerra Civil foi dedicado à reconstrução da infra-estrutura e da economia espanhola, o que foi largamente afetado pela eclosão da 2ª Guerra Mundial, meses após o fim da Guerra Civil. Apesar das pressões de Hitler, Franco manteve a Espanha em situação de não beligerância, cedendo, apenas, ao envio de uma divisão de infantaria com 50 mil voluntários que viriam combater no front russo, a chamada División Azul. Em 1943, a Espanha voltaria à situação de neutralidade.
No início do processo de reconstrução, o regime de Franco adotou políticas intervencionistas, protecionismo tarifário, controle cambial e de preços em busca da auto-suficiência na produção de bens considerados estratégicos, enfrentando o isolamento imposto à Espanha por razões políticas. O racionamento de produtos de primeira necessidade duraria até 1952. Em 1941 seria criado o Instituto Nacional de Industria (INI), principal expoente da série de autarquias, empresas estatais e órgãos reguladores criados nesse período.
Em 1944, o PCE lançou uma ofensiva guerrilheira que, partindo do território francês, cruzou os Pirineus e incursionou pelo Vale de Aran, na Catalunha. A estratégia desse ataque delirante, batizado de Operación Reconquista de España, era provocar uma “insurreição popular contra a ditadura” e formar na região um “governo provisório” a ser reconhecido como força beligerante pelas potências aliadas. Sem receber qualquer apoio da população, o ataque foi rechaçado pelas forças do Exército e da Guarda Civil em apenas cinco dias. Durante a incursão, Santiago Carrillo assumira o comando da operação guerrilheira. Ao saber da presença nas proximidades de tropas sob o comando do General José Moscardó, o comandante da resistência heróica do Alcázar de Toledo durante a Guerra Civil, Carrillo deu a ordem oficial de retirada, quando já se iniciara a debandada dos guerrilheiros em fuga para o território francês. Sucedeu-se a usual seqüência de expurgos e assassinatos entre os comunistas à busca dos culpados pela “ação aventureira”, ocasião em que se consolidou a liderança de Santiago Carrillo no PCE, sem prejuízo de a máquina de propaganda comunista vir a criar conotações míticas para os episódios no Vale de Aran, que apelidaram de “vale da liberdade”.
Ações guerrilheiras de comunistas e anarquistas ocorreriam residualmente até meados dos anos sessenta, consistindo, em sua maior parte, na sabotagem de redes elétricas, “expropriações revolucionárias” (roubos), represálias à população civil e assassinatos de autoridades governamentais.
Internamente, Franco enfrentava a ação, por vezes violenta, das alas extremistas da Falange, que pressionavam pela fascistização do regime e a entrada do país na Guerra ao lado do Eixo, ao que Franco respondeu com a demissão de Serrano Suner, o enfraquecimento político da Falange e o abandono da saudação fascista, além da entrega de postos-chave a militares leais e a antigos monarquistas e políticos católicos.
Em 1945, logo após o final da Guerra, Franco promulgou o Fuero de los Españoles, uma carta de direitos, deveres e garantias que restituía à religião católica a condição de religião oficial do Estado espanhol, o que daria as bases do regime que viria a ser denominado, por vezes de forma depreciativa, de “nacional-catolicismo”.
A criação da ONU acarretou novas pressões sobre a Espanha. Em 1946, a Assembléia Geral aprovou uma moção que impedia a entrada da Espanha no organismo, condenava o “regime fascista” e recomendava a imediata retirada da Espanha das representações diplomáticas dos países-membros. A decisão propiciou uma nova rodada de agitação internacional, com a usual enxurrada de artigos em jornais e realização de manifestos e atos públicos de “solidariedade antifascista”.



Manifestação de apoio a Franco, na Plaza de Oriente, em Madrid, contra a moção de condenação aprovada pela ONU: “Franco sí, comunismo no!” – 9/12/1946. Agência EFE.
Teve início um período de isolamento que muito afetou a recuperação econômica. Paulatinamente, com o acirramento da guerra fria, a Espanha seria integrada ao bloco ocidental como aliada confiável contra o comunismo. A moção condenatória seria revogada em 1950 e a Espanha aceita como membro da ONU em 1955.
A adoção de políticas restritivas buscou restabelecer o equilíbrio fiscal e a abertura da economia para o comércio e o turismo, tornada possível pelo fim do isolamento diplomático, gerando condições para o abandono do modelo autárquico intervencionista, o que permitiu o aumento de investimentos e o crescimento da economia, ainda que tenham sido mantidos elementos de caráter protecionista. Entre 1959 a 1974, período que veio a ser chamado de o “milagro español”, a Espanha registrou a segunda maior taxa de crescimento econômico, abaixo apenas do Japão, alcançando a posição de nona maior economia mundial. 
Nos anos recentes, ganhou corpo a narrativa de que a região da Catalunha constituiu um bastião de resistência à “ditadura franquista”, o que a teria tornado alvo, por cerca de quarenta anos, da exploração econômica e perseguição à “cultura catalã”. Tolices facilmente refutáveis.
Conforme é possível verificar nas estatísticas coletadas no rigoroso trabalho de pesquisa publicado pela Fundación BBVA, “Estadísticas históricas de España – Siglos XIX - XX – Volumen I” – Bilbao : 2005, coordenado por Albert Carreras e Xavier Tafunell, o PIB da Catalunha já correspondia, em meados dos anos cinqüenta, a quase 20% do PIB espanhol, conforme se verifica na tabela abaixo:

A reconstrução da economia espanhola e, especialmente, da capacidade produtiva da indústria, favoreceu fortemente a Catalunha. Fato significativo é o decreto de 1943 que reservou à cidade de Barcelona, e também Valência, a possibilidade de sediar feiras internacionais, disposição que vigoraria até 1979. A iniciativa do INI, em 1950, de estabelecer a fábrica estatal de automóveis da SEAT em Martorell (Barcelona) impulsionou a indústria automobilística e, nos moldes protecionistas então adotados, favoreceu largamente a região com subsídios estatais.
O mencionado estudo publicado pela Fundación BBVA revela o espetacular crescimento da renda familiar e do poder de compra da Catalunha que, de 1940 até 1975, cresceu 448%, consolidando a Catalunha como a região mais rica do país.




Outro mito recorrente procura politizar a maior paixão esportiva do espanhol, o futebol, buscando transformar o Futbol Club Barcelona em um símbolo da “resistência antifranquista” e do “independentismo catalão”. Insubmissos, porém, se revelam os fatos, que negam a veracidade dessa narrativa imaginária.
A manchete de jornal da época mostra a ovação com que Franco foi recebido, em 10/10/1957, por ocasião da inauguração do hoje célebre Camp Nou, estádio do Barcelona, com direito a manifestações artísticas do folclore catalão e cânticos de estréia do Himne a l’Estadi, dedicado ao Camp Nou, composto e entoado no idioma catalão.



Também significativo se faz o registro de que o Futbol Club Barcelona, por duas vezes, em 1971 e 1974, concedeu a Franco medalhas de ouro, em agradecimento aos auxílios financeiros obtidos para a quitação da dívida contraída para construir o Camp Nou e para a construção da arena multiuso Palau Balgrana e do Palau del Gel, destinado ao hóquei sobre o gelo e à patinação artística, ambos inaugurados pelo Futbol Club Barcelona em 1971.



É possível argumentar que as iniciativas das autoridades e dos dirigentes do clube de futebol catalão não representavam o real “sentimento independentista” da população e o indomável estado de “resistência antifascista” da Catalunha da época. Talvez o vídeo abaixo, filmado em 1970, possa ser útil para esclarecer o ponto.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Guerra da França dentro da França


Como diz o autor do artigo, uma coisa é deixar cristãos argelinos à mercê de milícias muçulmanas na Argélia, dentro da França não tem como bater em retirada.

Faltou dizer, no entanto, que sim, que o governo francês está batendo em retirada dentro da França ao não condenar o Islã.

Morre-se mais na França por conta de ataques terroristas do que em zonas de guerra.

Ano passado, eu fui a Toulouse, me senti em zona de guerra ou na Rocinha, pelo número de soldados armados nas ruas, que estão sujas.

Vejam abaixo parte do excelente texto de Daniel Greenfield.

Europe's Next World War Begins in France

Interior Minister Gerard Collomb made it official. France is "in a state of war”.

It’s not just rhetoric. Bombs turn up in a posh Parisian suburb. Two young women are butchered at a train station. And it’s just another week of an Islamic World War III being fought in France.

From the November attacks in 2015 that killed 130 people and wounded another 400+, to the Bastille Day truck ramming attack last year that killed 86 and wounded 458, the war is real.

French casualties in France are worse than in Afghanistan. The French lost 70 people to Islamic terrorist attacks in Afghanistan. And 239 to Islamic terrorist attacks in France.

The French losses in Afghanistan were suffered in over a decade of deployment in one of the most dangerous Islamic areas in the world. The French losses in France were suffered in less than two years.

There’s something very wrong when Afghanistan is safer than Paris.

10,000 French soldiers were deployed in the streets of their own country in Operation Sentinelle after the Charlie Hebdo - Kosher supermarket attacks in 2015. Thousands of French soldiers are still patrolling, guarding and shooting in French cities which have become more dangerous than Afghanistan.

Operation Sentinelle has deployed twice as many French soldiers to France as to Afghanistan. And French casualties in the Islamic war at home have been far higher that they were in Afghanistan.

When the French intervened to stop the Islamist takeover of Mali, they suffered a handful of losses. The 4,000 French soldiers came away from Operation Serval with 9 casualties and Operation Barkhane amounted to 5 dead. The Gulf War? Another 9 dead. It’s a lot safer to be a French soldier fighting Al Qaeda in a Muslim country than a Parisian civilian going to a concert in his or her own city.

French casualties in the struggle with Islamic terror in just the last two years are approaching the 300 casualties of the Korean War.

France is at war. That’s why there are soldiers in the streets.


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Islã e Hollywood- Ódio às Mulheres


O Islã e os encastelados em Hollywood (ou dentro da Globo) têm um inimigo comum: a pureza do cristianismo, muito especialmente a pureza feminina.

O Islã odeia as mulheres ao ponto de não se saber bem qual é paraíso para as mulheres. A mulher é subjugada ao homem muçulmano totalmente.

Em Hollywood, vive-se da liberdade sexual, da exploração do corpo feminino. Aborto, contracepção, pedofilia, nudez, e sexo sem valor são a regra. Mulher deve se sujeitar ao homem poderoso da indústria do cinema ou ao ator semi-deus para "ter carreira".

Engraçado ver atrizes defendendo o feminismo enquanto gastam milhões em tratamento de beleza e emagrecimento.

Derya Little, autora do livro acima, From Islam to Christ, que cresceu dentro do mundo muçulmano, conhece bem como é ser mulher no Islã. Ela escreveu um ótimo artigo sobre as subjugação da mulher no Islã e em Hollywood.

Ela mostra o único local onde a mulher encontra a liberdade: em Cristo.

O texto foi publicado na Crisis Magazine.  

Vejam parte do texto abaixo:

Islam, Hollywood and Choice



Once in a while there is an article that defends the practice of Muslim women covering her hair. If they really want to be insulting, there is a picture of a nun in a habit right next to a beautiful woman in hijab. “What is the difference?” they ask. “It is the choice,” I answer. One would think the movement that donned the adjective “pro-choice” would appreciate the nuance. Despite the endless word games, an honest look at today’s world will reveal that women have true choice in one place only: the Church, where Christ reigns.


I have been watching the happenings of Hollywood with a somewhat detached manner. There is money, there are powerful men, and there are women who are either willing to do anything it takes to advance their careers or who feel too trapped and alone to resist. Either way, this is a formula for female objectification and abuse. Not the first time. Not the last time.
The attitude of men towards women, and women’s lack of choice in Islam and Hollywood is remarkable. On the one end of the spectrum, there is the overwhelming appearance of guarding women’s virtue. Muslim women are responsible for concealing their own bodies. Even in the secular Muslim country I grew up in, from an early age girls are taught how even the smallest immodesty could cause men to sin, and that sin would be on our heads.
Consider growing up hearing that it is always woman’s fault when sexual abuse, assault or rape happens. Then consider becoming a social leper because one’s virginity is everything, regardless of how it is lost. After hearing this constant indoctrination and worshipping Allah who is the ultimate master with no paternal concern, the cycle of abuse is complete.
...
Now, on the other end of the spectrum lies a world where the thought of modesty is absurd. Hollywood is where the Sexual Revolution blossomed; where pornography was normalized; where the “liberation” of women was celebrated. From what we are told, now that there is free contraception, “safe” abortion, and no commitment to matrimony, women should be at their freest in Hollywood.
However, just like Islam, the atheistic culture of the movie industry fails to grasp the nature of the human person. Men, when given the power and ability, are more likely to abuse women. In Islam that power comes from Allah. In Hollywood, it comes from making or breaking a career. All these men become tiny little idols who can control women’s lives.
...
The end result is the same. Islam and sexual revolution do the same thing: remove the protection Christianity offers women.
...
Unlike what is taught in Islam and in the sex saturated culture of the West, Christianity teaches that we are all able to say “no,” including men. Men and women of faith have been tempted with lust throughout the history of the Church, and long before then. Just ask St. Anthony, St. Thomas Aquinas, or St. Benedict.
...
While Islam teaches that it is women’s responsibility to prevent men from sinning and Hollywood teaches that having sex is no different from indulging in a slice of chocolate cake, Christ demands the custody of eyes and chastity. While Islam wants women to cover every inch of their bodies, lest a man be aroused with the sight of an ankle or an elbow, and Hollywood wants to show naked women and pornography whenever possible, Christ asks for modesty and depictions of beauty not sexuality.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Teoria do Caos, Filosofia (Erística) e Racionalidade Limitada para Tratar de Comércio Exterior


Caríssimos, para a minha felicidade, ontem foi publicado meu livro "Perspectivas do Comércio Exterior do Brasil em um Mundo Caótico e sem Vantagem Comparativa". Que tal analisar o comércio exterior do ponto de vista da teoria do caos e da erística?

Vou contar aqui um pouco da história desse meu "filho".

A Editora Prismas me convidou para ser Diretor Científico de publicações sobre o Comércio Exterior no ano passado. Aceitei a função, coordenei a publicação de uma coletânea de artigos de vários renomados autores e resolvi também fazer minha colaboração para o tema.

A coletânea de artigos será publicada em breve.

O meu livro foi publicado antes.

Eu costumo ser professor de gestão de negócios internacionais e nunca gostei muito da abordagem de livros sobre comércio exterior, são repetitivos e filosoficamente simples demais para o meu gosto.

Eu sempre achei que as perspectivas de comércio exterior desses livros são muito falhas pois não mostram as bases filosóficas deles em um mundo que é cada vez mais um caos e sofista. E sempre achei que a formação dos economistas é muito ruim.

Minha tese de doutorado de 2006 foi sobre "racionalidade limitada", teoria que recebeu outro Prêmio Nobel esse ano.

Resolvi expor como eu acho que deve ser analisado as perspectivas de comércio exterior do Brasil, agregando "teoria do caos", "racionalidade limitada" e  "erística" (sofismo ou falácias usadas para vencer um debate sem necessariamente ter razão).

Apesar de ser um livro técnico, Chesterton dá a epígrafe do livro e Padre Antonio Vieira e Santo Agostinho agregam valores especiais ao texto.

Acho que ficou muito interessante.

Espero que gostem, o livro está disponível para compra no site da Editora e estará em breve em outras livrarias.

Abaixo vai o Sumário do livro e um pouco da Introdução














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Introdução:

O ano de 2017 marca o bicentenário do livro Princípios de Economia Política e Tributação[1], de David Ricardo. A doutrina da vantagem comparativa que é base teórica e até filosófica do livre comércio tem fonte seminal nesse livro. Essa doutrina também fundamenta a Organização Mundial do Comércio (OMC) na sua busca por abertura comercial. A vantagem comparativa advoga que o comércio é benéfico para os dois lados, mesmo que uma das partes seja melhor na produção de todos os bens. Foi elaborada pelo economista David Ricardo, no capítulo 7, parágrafo 16, do seu livro, tratando das produções de vinho e tecidos em Portugal, em seu comércio com a Inglaterra.
Ricardo argumentou que Portugal deveria se concentrar na produção de vinhos, mesmo produzindo tanto vinho como tecidos com  menos mão de obra do que os ingleses. Pois Portugal tinha, usando um termo só definido posteriormente, menor “custo de oportunidade” na produção de vinho do que na produção de tecidos. Dessa forma, por trás da ideia de vantagem comparativa está a lógica do “custo de oportunidade”, que, por sua vez, é um benefício que é abdicado em favor de outro.
O “custo de oportunidade” considera que o benefício e o custo de uma ação devem ser medidos pelo o que se deixou de fazer, o que demanda uma análise ampla de todas as oportunidades disponíveis.
Por isso, faltou a Ricardo analisar, por exemplo, se Portugal só tinha disponível vinho e tecidos para produzir, se apenas o custo de mão de obra para analisar, se só a Inglaterra como parceiro comercial, e se, da mesma forma, a Inglaterra não poderia aprimorar seus métodos de produção e o uso da terra. Sem falar que a troca comercial entre Portugal e Inglaterra é dependente do momento e da questão tecnológica. David Ricardo deixou claro que baseia sua análise apenas no custo do trabalho. e também se sabe que no modelo de crescimento econômico dele não há progresso tecnológico. Ricardo aceitou, por sinal, a teoria populacional de Thomas Malthus.
 Apesar de o “custo de oportunidade” ter aplicação muito mais ampla e fundamentar a própria lógica de vantagem comparativa, a OMC argumenta que se pode dizer que a ideia de vantagem comparativa é “a mais poderosa ideia da teoria econômica”[2].
Em todo caso,  é preciso  saber se a doutrina da vantagem comparativa ainda tem sentido, em um mundo com i) baixíssimos custos de transporte e de comunicação; ii) avançada tecnologia de produção, que adota robotização na produção em diversos setores; iii) alta especialização da produção; iv) possibilidade ampla de realizar toda a produção no exterior; e v) força das multinacionais. A própria OMC reconhece que os países estão ficando similares e assim as vantagens comparativas dos países estão sendo eliminadas[3].
A importância do fundamento das vantagens comparativas depende de fatores que não são fatores econômicos, são questões ideológicas que determinarão o futuro das vantagens comparativas. Para onde o mundo está caminhando para uma ampliação da globalização ou para o reforço do nacionalismo? Até bem pouco tempo atrás, eram políticos de vertente esquerdista que atacavam a globalização e defendiam a produção nacional, mas agora políticos de direita se juntam para atacar o que chamam de “globalismo”. Na campanha presidencial dos Estados Unidos, era Hillary Clinton que apoiava os acordos internacionais de livre comércio, enquanto Trump denunciava o impacto perverso desses acordos nos empregos dos americanos. No Brasil, sempre se disse que presidentes republicanos, como Trump, eram bons para o comércio brasileiro por defenderem o livre comércio ideologicamente, enquanto presidentes democratas, como Obama, prejudicavam as exportações do país por insistirem na produção doméstica, por conta da ideologia nacionalista.  No caso de Obama com o Brasil, a relação do ex-presidente com o país não foram boas, nem mesmo politicamente, apesar da admiração acentuada dos jornalistas brasileiros por ele. Fato reconhecido pela própria administração Obama[4]. Trump promete uma visão mais nacionalista, então a expectativa em geral não é boa para o Brasil, mas há nuances que o Brasil pode aproveitar. Discuto isso no Capítulo 3.
Deve-se considerar também que no arcabouço institucional dos Estados Unidos, o Congresso americano tem muito poder, incluindo sobre políticas comerciais. Um presidente deve saber negociar com o Congresso, especialmente quando é dominado pelo partido opositor. Obama foi considerado o pior presidente da história dos Estados Unidos em termos da sua capacidade de passar leis com apoio do Congresso[5]. Assim como Obama, Trump inicia seu governo com seu partido dominando tanto a Câmara como o Senado, vamos ver se consegue se sair melhor que seu antecessor. Não é difícil, uma vez que Obama, em oito anos, aprovou menos leis que Jimmy Carter, que teve apenas quatro anos de governo.
A China, o mais importante parceiro comercial do Brasil, não tem esse problema típico da democracia, de conflito entre poder executivo e poder legislativo. Não se pode nem questionar as decisões econômicas, políticas e sociais do partido único da China. Nem mesmo os dados econômicos. O  partido único na China está presente desde o ventre da mãe chinesa até o carro chinês exportado.
No Brasil, o presidente tem mais força e em geral tem apoio da maioria do Congresso. Mas em se tratando do que os políticos brasileiros pensam sobre comércio exterior, não há diferenças ideológicas acentuadas entre os partidos políticos. Em termos de comércio exterior, os partidos políticos brasileiros defendem certo nacionalismo na produção. Não há defesa da globalização entre os principais líderes políticos no Brasil e nunca houve de forma significativa um político brasileiro defendendo a abertura comercial como benéfica para o país. Governos brasileiros, em geral, de todas as nuances ideológicas, falam em aumentar a produtividade brasileira, e chegam até a reconhecer as importações como importante fator para isso, mas não passam muito do discurso. Normalmente,  no Brasil espera-se benesses do comércio exterior, sem que o país faça a sua parte para alavancar o comércio global. E os partidos políticos brasileiros são muito idênticos, não só em questões econômicas, o que é ruim para  a democracia.
Hoje em dia as vozes contra a globalização estão dos dois lados do espectro político em boa parte dos países. No mundo acadêmico, a defesa da globalização ficou restrita a defensores do livre comércio que seguramente são uma minoria nas universidades do mundo. E aqueles que atacam a globalização falam não só em questões econômicas, mas também em questões sociais, por conta do avanço de organizações como a Organizações das Nações Unidas (ONU) e União Europeia na legislação dos países, procurando aprovar medidas de forma global que têm amplo impacto cultural, social e até religioso. Mesmo organizações que foram formadas estritamente para lidar com questões econômicas, como o grupo de países G20, estão com uma agenda social ampla, que por vezes atrapalham ou atrasam as negociações comerciais.
Não quero dizer com isso que as negociações comerciais sejam mais importantes do que a agenda social. Eu defendo justamente o contrário, mas não estou certo de que todas as questões sociais sejam mais bem resolvidas globalmente do que localmente. Também não defendo que questões econômicas se isolem de questões sociais, aqui argumento também justamente pelo o contrário. Mas se é para tratar de questões sociais dentro de questões econômicas a formação dos debatedores deve ser diferente.
Como é possível prever o comércio exterior nessas circunstâncias de fraqueza das vantagens comparativas e críticas generalizadas à globalização?
Chamado no Brasil de Paiaçu (grande pai), o filósofo, religioso, escritor e diplomata português Padre Antonio Vieira, em seu livro História do Futuro, disse que o homem, sendo filho do tempo, do presente sabe pouco, do passado menos e do futuro nada[6]. Essa percepção de Vieira já deveria servir de alerta para todos que analisam o futuro em análises de perspectivas, sejam com base nas informações do presente ou nas do passado. Aqui tratamos das perspectivas do comércio exterior do Brasil tentando lembrar a humildade exigida por Vieira.
É fato reconhecido que economistas e organizações internacionais têm péssima reputação em matéria de previsão econômica, especialmente quando se pensa em termos de crise econômica. Em relação à crise econômica de 2008, por exemplo, conta-se nos dedos das mãos os economistas que a previram[7]. Tempos de desordem e caos econômico são períodos em que a análise econômica tende a errar mais, e, paradoxalmente, são nesses períodos que economistas e organizações econômicas são mais necessárias e relevantes. Mas, mesmo em tempos de calmaria, não confie muito em um economista sobre, por exemplo, qual será a taxa de câmbio de final de ano ou qual companhia será mais valorizada nas bolsas de valores. Se ele for do governo certamente será limitado por questões políticas, se ele for de banco será limitado pelo portfólio de investimentos do banco.
Loungani[8], economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), tratou da capacidade preditiva dos economistas. E relatou que apenas 2 das 60 recessões que ocorreram no mundo desde os anos 90 foram previstas. E que dois meses antes de cada recessão começar, 25% das previsões ainda eram de crescimento econômico para o país em questão. Além disso, as previsões eram mais otimistas do que a recessão em 50 dos 60 casos. Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve, disse em agosto de 2000, um mês antes da recessão econômica provocada pela “bolha tecnológica”, que aqueles que acham que os Estados Unidos estavam com perda de dinamismo econômico verão que estão errados. Após a crise de 2008, Ahir e Loungani[9] também discutiram a capacidade de previsão dos economistas. Eles consideraram 77 países, dos quais 49 estavam em recessão em 2009. Quantos economistas de três importantes fontes (Consensus Economics, FMI e OECD) em 2008 previram que esses 49 países estariam em recessão em 2009, segundo esses autores? Resposta: nenhum.
Em 2013, Greenspan, reconheceu que ele sempre foi muito mais matemático do que psicólogo, mas que usando matemática e modelos econométricos, mesmo os mais avançados, não se consegue prever de forma adequada as variáveis econômicas. Para ele dever-se-ia incorporar fatores psicológicos, como euforia, irracionalidade, instintos, medos e emoções[10].  Em 2014, escrevendo para a revista Foreign Affairs, Greenspan novamente pôs a culpa na irracionalidade para explicar a falta de poder de previsibilidade dos modelos econômicos[11].
Essa irracionalidade não é apenas de investidores, mas dos próprios economistas e políticos. Por exemplo, o Brasil viu de perto a volatilidade irracional das previsões dos economistas, em pequeno espaço de tempo. De 2009 até 2012, o mundo econômico e político achava que países como Brasil e China seriam os novos líderes da economia global. Eu mesmo tive a oportunidade de participar  de reuniões do G20, uma organização global que reúne as maiores economias do mundo, em 2008, e o que se falava repetidamente é que havia um “descolamento” de Brasil e China da grande crise financeira que o mundo desenvolvido atravessava. A partir de 2013, o Brasil entrou em decadência nas considerações dos analistas, até ser o patinho feio, apresentando o pior crescimento econômico entre as principais economias globais entre 2014 e 2016. A China também sofre com queda do crescimento e elevado endividamento. Se é assim, em tão pouco tempo, como se pode prever um futuro mais longínquo?
Temos ainda o velho problema da falta de confiança nas informações econômicas que vêm da China. Por vezes, os próprios estatísticos do governo chinês admitem que alguns dados econômicos são fraudulentos e falsificados[12].  Em 2015, pesquisa mostrou que 96% dos economistas dos Estados Unidos não confiam nos dados do PIB chinês[13]. Em 2017, uma província chinesa admitiu criar números para que seus administradores aparecessem bem na foto, melhorando os dados fiscais em 20%, por exemplo[14]. O próprio Li Keqiang, primeiro-ministro da China, admitiu que o PIB da China é manipulado e assim não é confiável[15].
Em geral, as justificativas para erros de previsão são de que os economistas e organizações não consideram fatores relevantes ou riscos relacionados em suas análises. Acho, no entanto, que é importante inicialmente considerar restrições burocráticas, justificativas que não são filosóficas, ideológicas ou sistêmicas, para os erros de previsão dos economistas. Quatro justificativas burocráticas podem ser relacionadas a quatro tipos de economistas, diferenciados pela instituição em que trabalham:
a)      Economistas de organizações econômicas internacionais sofrem o peso político dessas organizações, e não têm tanta liberdade para estabelecer suas previsões. Afinal, quem financia e controla essas instituições, como FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Conferência das Nações Unidas para o Comércio (UNCTAD), são os próprios países;
b)      Economistas de órgãos públicos além de sofrerem o peso político dos líderes em voga, também tendem a considerar que o Estado têm muitas ferramentas para evitar uma recessão. Essa visão também muitas vezes é compartilhada por economistas do mercado, que em geral consideram, por exemplo, que os governos chinês ou norte-americano sempre conseguem evitar recessões.
c)      Economistas de instituições financeiras ou de agências de risco sofrem o peso das aplicações financeiras de suas instituições. Elas têm dinheiro alocado para determinado futuro.
d)     Economistas de universidades sofrem pela falta de experiência no mercado e em governos.

Além dessas justificativas práticas, temos falhas da modelagem econômica, que i) ou não consideram variáveis relevantes, que por vezes não são passíveis de serem calculadas; ii) ou reproduzem demais o passado; iii) ou não consideram o recorrente relacionamento corrupto entre Estado e mercado; iv) ou determinam previsões distorcidas  pela ideologia política e cultural de quem modela.